As sete etapas do processo de análise de investimentos

Vamos discutir neste artigo o processo de análise de investimentos, elemento de fundamental importância para o crescimento sustentável das organizações.

Em grandes linhas  podemos afirmar que o processo envolve a seleção de propostas de investimento, que surge em todas as áreas da empresa, o levantamento dos dados estratégicos, operacionais e financeiros para montagem dos fluxos de caixa, a revisão e análise através das técnicas de avaliação de investimento, a tomada de decisão, através da escolha das alternativas que irão aumentar o valor da empresa, a implementação e acompanhamento dos resultados e a avaliação final do investimento.

Todos esse processo envolve a participação de profissionais de diversas áreas, tais como engenheiros, economistas, contadores, advogados e administradores.

  1. Seleção das propostas de investimento
  2. Levantamento dos dados estratégicos, operacionais e financeiros
  3. Montagem do fluxo de caixa
  4. Técnicas de Análise de investimentos
  5. Tomada de decisão
  6. Implementação e acompanhamento dos resultados
  7. Avaliação final

Tanto na montagem do fluxo de desembolsos e receitas dos projetos de investimento quanto na sua avaliação, análise e tomada de decisão temos que levar em conta o valor do dinheiro no tempo, seu custo (custo de capital), a deterioração do poder de compra (inflação), as alternativas para alocação de recursos e custos de oportunidades.Para tanto, precisamos entender e utilizar corretamente os princípios da matemática financeira.

 

Seleção das propostas de investimento

A primeira etapa do processo de análise de investimentos evolve o levantamento das propostas de investimento. Em uma organização as propostas de investimento surgem nas diferentes áreas da empresa.

Assim, se o setor de produção necessita de um novo software de programação de produção, por exemplo, este deve encaminhar a proposta para o setor financeiro. Normalmente são muitas as demandas por investimento surgindo em todas as áreas, como por exemplo:

  • Substituição ou atualização de equipamentos
  • Compra de maquinário para expansão
  • Contratação de consultorias organizacionais
  • Aquisição de veículos e edificações
  • Expansão de território com abertura de novas lojas
  • Desenvolvimento de novos produtos
  • Aquisição de outras empresas

Em empresas maiores todas as propostas da analise de investimento devem ser encaminhadas de maneira formal para o setor responsável por organizar todas as informações.

Levantamento dos dados estratégicos, operacionais e financeiros

Nesta segunda etapa é feito o levantamento de todas as informações operacionais, financeiras e estratégicas dos projetos que surgiram a partir das demandas dos diversos setores.

Inicialmente devemos considerar a pertinência estratégica dos projetos. Devemos ter cuidado, por exemplo, com a canibalização de produtos ou mesmo de pontos comerciais.

Se temos duas lojas muito próximas, por exemplo,  pode acontecer de a abertura de uma nova loja fazer com que as vendas das lojas já existentes diminuam. Produtos novos também podem reduzir as vendas dos antigos.

Em seguida deve ser levantados os dados operacionais, tais como levantamento de todos os investimentos e da capacidade e produtividade dos investimentos.

Montagem do fluxo de caixa de um projeto

Em seguida serão levantados os dados de custos, despesas, receitas e de investimento inicial. A ideia é que tenhamos ao final desta etapa um fluxo de caixa montado.

Para ficar mais claro o Fluxo de caixa se refere a projeção de investimento inicial, de receitas e de custos e despesas ao longo do horizonte de tempo do projeto.

Devemos levar em consideração os investimento em instalação e capital de giro, bem como o resultado da desmobilização do investimento após o fim do projeto. É preciso considerar também todos os efeitos fiscais e de depreciação.

Métodos de avaliação de investimentos

Após a montagem do fluxo de caixa do projeto devemos avaliar a viabilidade ou não dos mesmos. Para tanto temos como referência três métodos de avaliação de investimentos:

  1. O Tempo de retorno (Payback)
  2. O Valor Presente Líquido (VPL)
  3. A Taxa Interna de Retorno (TIR)

O Tempo de retorno (Payback)

O Payback  é uma dos indicadores mais básicos para tomada de decisão em analise de investimento. Ele significa basicamente o tempo em que iremos retornar o capital investido no projeto.

Suponha que tenhamos um investimento inicial de R$ 500.000, 00 e que o projeto gere resultados anuais líquidos de R$ 250.000,00 ao longo de 5 anos, quanto tempo iremos retornar o capital investido?

Logicamente será 2 anos ( 500.000,00/250.000,00). Ou seja, o payback será de 2 anos.

Um dos grandes problemas do payback é que ele não leva em conta o valor do dinheiro no tempo, elemento fundamental em qualquer análise financeira.

Para minimizar este problema poderíamos fazer a equivalência dos fluxos para data atual e calcular um novo payback, chamado de payback descontado.

O Valor Presente Líquido (VPL)

O Valor Presente Líquido, também reconhecido como VPL, é um dos mais importantes indicadores para avaliação da viabilidade de projetos de investimento.

Nele devemos trazer todos os fluxos de caixa do projeto para a data zero, que é exatamente a data do investimento, utilizando para tanto o custo de capital da empresa, também chamada de taxa de atratividade.

O resultado líquido é chamada de VPL. Se o VPL for positivo devemos aceitar o projeto se for negativo devemos rejeitar o projeto.

A  Taxa Interna de Retorno (TIR)

Teoricamente a Taxa Interna de Retorno (TIR) é aquela taxa em que em se trazendo todos os fluxos do projeto para data do investimento teríamos um VPL =0. Na pratica é a taxa de retorno do projeto.

Tanto para se calcular a Taxa Interna de Retorno como O Valor Presente Líquido é recomendável a utilização de calculadoras financeiras, como a Hp 12c, ou mesmos as planilhas eletrônicas de cálculo, como o Excel.

O critério de seleção de projeto para a taxa interna de retorno é que ela deve ser superior ao custo de capital da empresa. Assim TIR maior que o custo de capital o projeto deve ser aceito e menor deve ser rejeitado.

A Tomada de decisão

Após a etapa anterior, onde foram calculados os indicadores financeiros, é necessário tomar a decisão.

Projetos que não se enquadrem nos critérios estipulados pela empresa para o Payback, VPL e TIR devem ser rejeitados. Os projetos que foram aceitos devem ser ordenados do melhor para o pior, é recomendável que esta ordenação seja feita em termos de VPL, pois este é o melhor indicador.

Muitas vezes temos a situação de projetos mutualmente excludentes, quando dois projetos concorrem para o mesmo recurso e não podemos serem aprovados ao mesmo tempo, como por exemplo em duas marcas de equipamentos para mesma finalidade. Neste caso devemos escolher o que apresentar melhores resultados.

Outra situação muito comum é a restrição de capital, quando temos recursos limitados menores que os necessários para todos os projetos aceitáveis. Neste caso devemos alocar os recursos ordenando os projetos de forma a obter um maior VPL global de todos os projetos.

A Implementação e acompanhamento dos resultados

Após a decisão de investimento é necessário por parte do setor de projetos o acompanhamento dos resultados. Afinal todos o dados necessários para montagem dos fluxos foram feitos a partir de estimativas que podem ou não se concretizar na prática.

Todas as diferenças de resultado do que foi projetado com o que foi realizado, seja para mais ou para menos, deve ser registrado para posterior avaliação.

Avaliação final

Por fim é preciso avaliar se todos os esforços feitos em todas as etapas anteriores resultaram em aumento do valor da empresa. Muitas vezes só teremos uma análise definitiva muitos anos após a realização do investimento, quando todos o projeto estará consolidado.

 

 

 

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